AIL - Associação Internacional de Lusitanistas

Sistemas literários nacionais
 
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Terra morta e outras terras: sistemas literários
nacionais e o macrossistema literário da língua portuguesa

Benjamin Abdala Junior
Universidade de São Paulo

Este texto se insere num projeto mais amplo de definir critérios para o comparatismo entre as literaturas de língua portuguesa. É nossa intenção discutir aqui as articulações entre sistema literário nacional e o campo intelectual, colocando como referência sobretudo o romance Terra morta, de Castro Soromenho,1 tendo em vista mostrar o caráter dinamizador do “campo intelectual” - conceito apropriado a nossa maneira de Pierre Bourdieu2 - em relação aos sistemas literários nacionais dos países de língua portuguesa. Faz-se necessária uma informação biográfica inicial sobre Castro Soromenho. Esse autor, nascido na Zambésia em Moçambique em 1910, filho de português e cabo-verdiana, foi com um ano de idade para Angola, onde viveu de 1911 a 1937. Fez estudos primário e de liceu em Lisboa (1916-1925). Voltou a Portugal em 1937. Em face de perseguições políticas, teve de exilar-se, vivendo na França (1960-1965) e depois no Brasil (1965-1968), onde veio a falecer. Foi um dos fundadores do Centro de Estudos Africanos da Universidade de São Paulo. O romance Terra morta teve sua primeira edição publicada no Brasil, em 1949,3 quando o autor residia em Portugal. Nem poderia ser diferente, pois há nesse romance uma denúncia do colonialismo que fazia de Angola uma “terra morta”. Ao mesmo tempo, deve ser indicado que os sonhos libertários, advindos do término da Segunda Guerra Mundial e que então embalavam os intelectuais portugueses, eram frustrados pela atmosfera sufocante da guerra fria.

 
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