AIL - Associação Internacional de Lusitanistas

A poesia de Ana Luísa Amaral
 
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Concertos / Desconsertos: arte poética e busca
do sujeito na poesia de Ana Luísa Amaral

Isabel Pires de Lima
Universidade do Porto

“Se mente o coração,/ finge também a mente;//
e o verso sai-me bem”
E muitos os Caminhos

“(…) a primeira humana/ construção:/ invenção reticente/
da palavra/sublime e poderosa arte/ da mentira”

Às Vezes o Paraíso

Ana Luísa Amaral tem recolhido em torno de si uma invejável unanimidade por parte da crítica mais atenta ao campo poético, ao ser considerada uma das mais interessantes revelações da poesia portuguesa dos anos 90. E como se isso não bastasse, a sua obra poética tem também sido olhada como congregadora das mais significativas tendências que esta novíssima poesia manifesta.

Refiro-me 1- à construção de epifanias do quotidiano, no caso de Ana Luísa Amaral, um quotidiano tradicionalmente periférico, o quotidiano feminino; 2- à revisitação intertextual do cânone estético cultural ocidental; 3- à contrafacção paródica, mais ou menos lúdica do dito cânone, nomeadamente do cânone literário modernista, que a poeta em questão conhece bem; 4- à vivência de um desconserto existencial que questiona uma axiologia forte, sem deixar de a reclamar, no caso vertente, no fio do horizonte; 5- à interrogação metapoética e densamente auto-reflexiva; 6- à discursividade narrativa que não deixa de incorporar o fragmento, ligada quer à rememoriação, quer ao anedótico; 7- à reivindicação da poesia como experiência do excesso, quer do excesso excessivo do barroco, quer do excesso rasurado do limite, experiências que não impedem, em Ana Luísa Amaral, o recurso por vezes bem rebuscado à elipse. Parece, pois, vir ao encontro desta diversidade o quarto título de poemas da autora, E muitos os Caminhos, publicado em 1995.

 
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