(”Esse texto também aparece na Revista Veredas N° 3″)
Vilma Areas
Universidade de Campinas
Considero O filantropo1 um livro surpreendente e difícil de comentar. Algumas das críticas que dele se ocuparam apoiaram-se no conhecimento estético do autor para explicar traços de composição, o que não deixa de ser revelador da dificuldade. Todos sabemos que Rodrigo Naves é um dos nossos melhores críticos de arte, mas o vínculo estabelecido entre crítica de arte e ficção desvia o olhar de aspectos fundamentais do texto. Um deles, a coerência e deliberação desses escritos que nos contam uma história com princípio, meio e fim, apesar de muitos buracos e de algumas armadilhas bem dissimuladas. Mas existem pistas, também dissimuladas, espalhadas aqui e ali. Uma intenção explícita, por exemplo, será não isolar fragmentos e não compô-los ao capricho, mas «diminuir a distância entre as coisas e exercer sobre elas um domínio rude e doce».2
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