Maria Eunice Moreira
PUC/RS
Num livro recentemente publicado, intitulado Três devotos, uma fé, nenhum milagre, Maria Orlanda Pinassi desenvolve um estudo sobre a literatura praticada pelos componentes do Grupo Niterói - Gonçalves de Magalhães, Manuel de Araújo Porto Alegre e Francisco Sales Torres-Homem - idealizadores da revista Niterói, procurando identificar os princípios estéticos que nortearam a atuação desses brasileiros em Paris, e a relação que mantiveram com o Império, no período posterior à Independência.
Estudo extremamente interessante para conhecimento das condições de produção dos textos desencadeadores do movimento romântico brasileiro, a análise amplia-se para oferecer um detalhamento da vida de três brasileiros que colaboraram para a expansão da cultura de seu país e, sobretudo, para a inserção da jovem nação num processo de “ocidentalização”, à luz de signos abertamente europeus. Para a autora do livro, foram eles os responsáveis pela identidade nacional, num período que se situa entre a fase neoclássica e o Romantismo do Segundo Império. Entre os três devotos - alcunha com que a autora os apresenta, em função de sua luta em prol da causa nacional - um sobressai em particular: Antônio José Gonçalves de Magalhães. Foi esse homem, misto de poeta, médico cuja profissão nunca exerceu e ensaísta da história da literatura, que a historiografia literária posterior concederia o lugar de arauto do Romantismo e responsável pela introdução desse movimento no Brasil.
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