(”Esse texto também aparece na Revista Veredas N° 3″)
Paulo Motta Oliveira
UFMG
Pedro da Silveira, no prefácio que faz aos Versos de Carlos Fradique Mendes, considera que, com esse personagem, estamos «perante uma espécie de pseudónimo, ao qual mais atribuíram uma biografia, ou seja, perante um heterónimo, cujos ‘pais’ foram Eça, Antero e Batalha Reis (…) Heterónimo [afirmará em seguida] (…) como os de Fernando Pessoa».1 Logo depois, ao supor que sua afirmação poderia gerar discordâncias, apontará as diferenças que, para ele, existem entre as categorias de pseudônimo e de heterônimo, concluindo que a marca diferencial entre ambas advém de que apenas na segunda é construído um ser ficcional ao qual é atribuída não só uma obra, mas também uma biografia, como, por sinal, ocorre com Fradique. Ou seja, para Pedro da Silveira, esse personagem foi um heterônimo avant la lettre.
Também Joel Serrão, em O Primeiro Fradique Mendes, considerará esse Fradique como um heterônimo, assumindo posturas muito próximas das levantadas por Pedro da Silveira, e chegando mesmo a analisar a existência de certas tendências heteronímicas não só em Eça de Queirós, mas também em Antero de Quental e mesmo em Jaime Batalha Reis.2
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