Ida Maria Santos Ferreira Alves
Universidade Federal Fluminense
É a partir do século XIX, pós-revolução industrial, com a ampliação do espaço urbano e o crescimento notável da população e seus problemas sociais, que o espaço da cidade, toda a sua complexidade, veio a se tornar, na arte, forte motivo de reflexão, superando de muito o clássico fugere urbem. Desse modo, escrever sobre tal espaço, sempre em mutação, lugar de tensões e contrastes, interessou diversos escritores de diferentes culturas, expondo-se ora uma visão apocalíptica, ora uma visão exaltadora do progresso e da modernidade, ora o convívio inevitável de diferenças. Para uns, as cidades eram grandes máquinas, produzindo a destruição de todos os valores caros ao homem digno; para outros, elas representavam a prova inequívoca de que o homem vencera etapas fundamentais na luta pelo desenvolvimento material a possibilitar uma vida mais cômoda e confortável, livre das agruras da vida rural. Para outros ainda, lugar de tensões insolúveis, de paradoxos, de diferenças, expandindo-se continuamente a partir de suas próprias contradições .
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