AIL - Associação Internacional de Lusitanistas

Cidade e nação na narrativa brasileira
 
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Cidade e nação na narrativa brasileira
contemporânea: uma guerra de relatos

(”Esse texto também aparece na Revista Veredas N° 3″)

Renato Cordeiro Gomes
PUC-RJ

“Cada um inventa a sua marca registrada”
(Silviano Santiago: “Autumn leaves”,
in Keith Jarrett no Blue Note)

Ao comentar o ensaio “Arlt: cidade real, cidade imaginada, cidade reformada” apresentado pela crítica argentina Beatriz Sarlo (1993), no seminário Literatura e História na América Latina, realizado no Memorial da América Latina, São Paulo, 1991, Antonio Candido reporta-se ao livro Una modernidad periférica: Buenos Aires 1920-1930 da mesma autora, para daí estabelecer duas categorias de leitura que ele denomina visões urbanas puras e visões urbanas impuras. Esquematizando o que diz o autor da Formação da literatura brasileira: as primeiras «nascem de um contato único com a cidade, sem ligação com o seu passado. A visão é pura, portanto, porque tem pela frente a cidade como ela se apresenta no momento da contemplação e nada mais. Visão impura seria a que mistura a mirada urbana atual com outras miradas possíveis» (Candido, 1993, 240), mesclando a experiência presente da vida urbana em contato direto, com o passado, a memória, a história, por conseguinte, com a tradição, ou, por outro lado, com a visão da cena urbana que se dá a partir do jogo opositivo com o campo, tópico que se intensificou a partir do século XVIII, quando o processo de modernização transforma não só o perfil e a ecologia urbanas, mas também as experiências de seus habitantes, quando, enfim, a cidade se torna uma questão fundamental para os tempos modernos (lembre-se, ainda, que a cidade é uma preocupação privilegiada pela pauta pós-moderna).

 
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