AIL - Associação Internacional de Lusitanistas

Galiza no Movimento Internacional de Lusitanistas

Galiza no Movimento Internacional de Lusitanistas

Sexta, 28 Outubro 2011 10:29

Atençom, abrirá numha nova janela.Por Joám Manuel Araújo

A Associação Internacional de Lusitanistas (AIL) publicou este ano as Atas1 do seu IX Congresso, celebrado em Agosto de 2008 na Madeira. O lançamento aconteceu no Verão, na Universidade do Algarve (Faro), na sequência do X Congresso.

Conformam este repositório mais de cem trabalhos, distribuídos em dois volumes, o primeiro deles dedicado a Linguística e Literatura, e o segundo a Cultura. Neles colecionam-se estudos e pesquisas de professores e especialistas do Brasil (37), Portugal (32, dos quais 14 assinados por produtores da Madeira e 1 dos Açores), Galiza (23), Alemanha (3), França (3), Angola (2), Espanha (2: 1 de Ilhas Baleares e 1 de Valência), Polónia (2), Bélgica (1), Bulgária (1), Holanda (1) e um contributo de um docente que assina como pertencente a uma universidade portuguesa e outra galega.

A presença galega é a seguinte:

VOLUME PRIMEIRO

Intervenções na abertura e no encerramento das sessões:

1) Elias Torres Feijó, da Universidade de Santiago de Compostela (USC), como presidente da AIL em exercício (p. 12).

I) LINGÜÍSTICA

a) Língua Portuguesa: migrações e trânsito:

2) “A denominación senhor nas cantigas de amor de Don Denis”, de Leticia Eirín García, da Universidade da Corunha (pp. 79-88).

b) Uma língua, várias culturas: transposições e localizações:

3) “A Real Academia Galega, manipuladora da língua?”, de Elisardo López Varela, da Universidade da Corunha (pp. 139-148).

4) “Ernesto Guerra da Cal na dupla estratégia de um acordo ortográfico para a lusofonia e a restauração da língua da Galiza”, de Joel R. Gômez, do Grupo Galabra-Universidade de Santiago (pp. 161-171).

II) LITERATURA

c) Cartografias das diferenças.

5) “O espazo de sombra do discurso histórico-ficcional identitario (José e os Outros de José-Augusto França e O señor Lugrís e a negra sombra de Luís Rei Núñez)”, de Alva Martínez Teixeiro, da Universidade da Corunha (pp. 189-198).

6) “Aplicaçom dos estudos literários à geografia cultural. Estudo das motivaçons culturais do turismo brasileiro e português para visitar a Galiza. O caso do Brasil”, de Íria Mayer Mayer, do Grupo Galabra-Universidade de Santiago (pp. 237-244).

7) “Da academia ao negócio. Aplicaçons à empresa da pesquisa em humanidades”, de M. Carmen Villarino Pardo, do Grupo Galabra-Universidade de Santiago (pp. 259-264).

8) “Turismo e identidade. As motivações culturais dos visitantes portugueses em relação à Galiza. Primeiras aproximações”, de Marcos Garcia González, do Grupo Galabra-Universidade de Santiago (pp. 165-270).

9) “De cruzar o charco a atravessar os Pirineus. Repercussons das mudanças dos fluxos migratórios no campo cultural galeguista (1968-1972)”, de Vítor Suárez Díaz, do Grupo Galabra-Universidade de Santiago (pp. 289-294).

d) Vária.

10) “A construción da nación, a destrución da utopía em A Geração da Utopia”, de Maria Jesús Leira Lugrís, da Universidade da Corunha, pp. 411-420.

VOLUME SEGUNDO

III. CULTURA

e) Discurso artístico e modernidades.

11) “A pegada francesa en Final de Película, de Gustavo Pernas”, de Isabel Truan Vereterra, da Universidade de Santiago de Compostela, (pp. 59-6galiza-no-movimento-internacional-de-lusitanistas

12) “A conquista dos palcos: análise das funçons do teatro em Lisboa na segunda metade do século XVIII”, de Lucia Montenegro Pico, do Grupo Galabra-Universidade de Santiago (pp. 79-87).

f) Efemérides.

13) “Memória histórica, identidade nacional e discurso literário na Galiza”, de Carlos F. Velasco Souto, da Universidade da Corunha (pp. 175-186).

14) “Referências históricas na obra narrativa de Manuel Lugrís Freire”, de María Vilariño Suárez, da Universidade da Corunha (pp. 251-261).

15) “A força de efemérides. O estudo da produção científica sobre a ilustraçom na Galiza”, de Raquel Bello Vázquez, do Grupo Galabra-Universidade de Santiago (pp. 281-289).

16) “A propósito do centenario da morte de Manuel Curros Henríquez: os preconceitos lingüísticos na Galiza”, de Xosé Ramón Freixeiro Mato, da Universidade da Corunha (pp. 301-311).

g) Património cultural e (re)edificação nacional.

17) “¡A Besta! e o rexionalismo galego”, de Amélia Sánchez Pérez, da Universidade da Corunha (pp. 315-321).

18) “Literatura, divulgação e experiência na elaboração de ideias e imagens sobre o outro. Galiza aos olhos brasileiros: primeiros resultados”, de Antia Cortizas Leira, do Grupo Galabra-Universidade de Santiago (pp. 323-333).

19) “Nacionalizar com mortos, alfabetizar com estrangeiros. Tradiçom, produçom e importaçom em sistemas literários de emergência: o caso galego (1968-1982)”, de Carlos G. Figueiras, do Grupo Galabra-Universidade de Santiago (pp. 345-357).

20) “A intervenção galeguista de Alfredo Guisado no âmbito da Semana Portuguesa na Galiza (1929)”, de Carlos Pazo Justo, da Universidade do Minho e do Grupo Galabra-Universidade de Santiago (pp. 359-370).

21) “Contar as Luzes. Processos de fabricaçom de ideias sobre a ilustraçom na Galiza”, de Laura Blanco de la Barrera, do Grupo Galabra-Universidade de Santiago (pp. 423-430).

22) “Confeccionar unha bandeira: servir a dúas patrias? O ‘Batallón Literario’ universitario de Santiago frente à invasión francesa de 1808 e a reapropiación españolista e galeguista”, de Paula Fernández Seoane, do Grupo Galabra-Universidade de Santiago (pp. 441-449).

23) “Estratégias de planificaçom cultural no campo editorial (ou das relaçons entre os projectos do fim da ditadura e o mercado do livro na Galiza autonómica)”, de Roberto López-Iglésias Samartín, da Universidade da Corunha e do Grupo Galabra-Universidade de Santiago (pp. 465-472).

    Da leitura desta obra podemos tirar algumas conclusões:

    1. A maioria de trabalhos de especialistas do Brasil não surprende: país que é grande potência económica, e também de conhecimento, com o maior volume de universidades e meios para a pesquisa e a docência, isso se tinha de espelhar, e assim acontece. O mesmo se repetiu no X Congresso. Em segundo lugar encontra-se Portugal, favorecido pela proximidade da sede do congresso.

    2. Merece destaque que uma oitava parte dos trabalhos procedam de 7 países europeus não lusófonos. Isso evidencia como existe um interesse internacional pela cultura associada ao mundo de fala portuguesa, e em especial na Europa.

    3. Chama a atenção a forte presença de trabalhos galegos, quase uma quarta parte do total, com contributos sobre assuntos próprios e outros centrados noutros países lusófonos, com comparatismo em vários deles. Procedem exclusivamente das universidades de Compostela (sendo maioritário o Grupo Galabra) e a da Corunha.

    4. Só não há presença galega na epígrafe “Ilhas e continentes”, a qual só conta com quatro trabalhos. Mas vale a pena frisar que, excepto a organizadora ilha da Madeira, que tem representação em todos os âmbitos, nenhum outro povo (nem Brasil nem o resto de Portugal) apresenta contributos em todas as áreas desse Congresso.

    5. A AIL aceita e integra trabalhos galegos redigidos quer em português padrão (os menos), ou nos cânones ortográficos da Associaçom Galega da Língua (a maioria) ou do ILG-RAG.

    6. Para os produtores galegos é esta uma oportunidade de internacionalização, respeitando a sua vontade linguïstica e tendo tratamento em igualdade de condições; situação porventura hoje única, pois mesmo na própria Galiza é difícil encontrar alguma possibilidade semelhante.

    Nota:

    1Rebelo, Helena (coord.), (2011), Lusofonia: Tempo de Reciprocidades. Actas do IX Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas, Porto, Afrontamento, 2 vol.

     
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