AIL - Associação Internacional de Lusitanistas

2011 ano internacional dos afro-descendentes

logo-afrodescentes-6A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2011 como o Ano Internacional dos Afro-descendentes, atribuindo-lhe o subtítulo «People of African Descent: recognition, Justice and Development». A criação deste Ano Internacional dedicado às pessoas de ascendência africana liga-se estreitamente ao 10º aniversário da III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata», realizada em 2001, em Durban, África do Sul.

Enquanto instituição de investigação que, desde a sua fundação, assumiu como parte crucial da sua marca identitária as relações Norte-Sul e a reflexão pós-colonial e multidisciplinar sobre o colonialismo e as suas implicações, o CES associa-se às comemorações do Ano Internacional dos Afro-Descendentes.

Reconhecendo a importância epistemológica, e portanto política, cultural e sócio-económica, desta iniciativa, o CES desenvolverá, ao longo de 2011 e 2012, um conjunto de actividades e eventos numa perspectiva ampla e transdisciplinar, a partir dos quais se pretende discutir:

  1. O conceito de afro-descendente: Será questionada uma categoria identitária que, a partir de um deslocamento em relação a uma origem africana, situado num momento mais ou menos longínquo do passado, mas determinado sempre pelo colonialismo e, em particular, pela escravatura, tende a cristalizar identidades heterogéneas, híbridas e complexas em torno do vector exclusivo de uma noção problemática de ‘africanidade’.
  2. O Racismo: Será concedida particular atenção à prevalência do racismo, através de uma abordagem histórica e comparada que dê conta das suas diversas configurações na contemporaneidade.
  3. O conceito de diáspora: Serão problematizados múltiplos movimentos diaspóricos, em momentos históricos diversos, desde a escravatura até aos fluxos migratórios da actualidade, e em geografias que se estendem dos Atlânticos Norte e Sul, passando pelo Mediterrâneo, até ao Índico e à Ásia.Procurar-se-á compreender diferentes configurações identitárias –, em particular as associadas à ascendência africana -, e sobretudo questionar a construção histórica de identidades como a europeia e a norte-americana, assim como a respectiva dimensão atlântica, a partir da desconstrução da ficção do Atlântico-Norte como centro, na qual se enraízam as contemporâneas relações políticas e económicas de tipo colonial ou neo-colonial. Reflectir-se-á sobre a relevância da ascendência africana no contexto político e não hegemónico do Sul, seja na América Latina ou na Ásia.
  4. O imaginário de África: Será questionado o imaginário sobre África frequentemente associado, em Portugal e na Europa, a uma herança colonial e constituído por representações de pendor colonialista e racista. A essencialização das identidades africana(s) e afro-descendente(s) será confrontada com novos olhares sobre as realidades de Áfricas múltiplas, tornando audíveis e visíveis os contributos que os saberes, as experiências e as práticas africanas trazem ao mundo, problematizando-se assim a estruturação do mundo com base em identidades monocromáticas e as relações políticas, económicas, sociais e culturais estabelecidas com África. Serão problematizadas as identidades afro-descendentes e os respectivos processos da sua constituição no âmbito específico do colonialismo português, dando particular atenção à questão dos “retornados”.
 
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